terça-feira, 31 de maio de 2011





Estes olhos
são da cor do mar
do céu, dos horizontes
dos cumes sem montes
das noites sem luar.

São apenas meus
são o fim do infinito,
são oásis sem deserto
são calor num corpo aberto
são silêncio, não são grito.

Olhas neles e que vês tu?
o lume na manhã fria
a hora que sempre tarda
a noite que nunca acaba
o saldo do dia-a-dia.

..................................................................................... 16 Junho 2005


O PORTUGUÊS, DE FACTO, É ÚNICO!

Os tempos são maus, de facto, mas pela voltinha que dei aí pelas escrituras bloguísticas reconheço que a espiritualidade lusa é inversamente proporcional ao estado da nação. Vem a tormenta, sobe a ironia e a boa-disposição.
Avizinha-se a quarta revolução. O quarto coice certeiro no orgulho do género lusitano. Depois do Copérnico ter demonstrado que nós é que os temos a girar à volta de, do Darwin explicar a origem de toda a nossa macacada e de Freud nos chegar a tirar o coiso explicando os actos falhados, o Primeiro Ministro ataca agora, com o novo código anti-sobrevivência!
Sócrates: - "Iva vai subir para os 21% , congeladas as progressões nas carreiras da função pública, aumento no preço dos combustíveis….,…"
Reacção do Povo: SLB, SLB SLB SLB, GLORIOSO, SLB GLORIOSO SLB... ... ...



....................................................................................... 27 Maio 2005


És a ilha que visito,
a praia onde me deito,
o céu onde me espelho
a montanha donde grito,
o silêncio do meu peito...

 És praia de areia escura
que aspira a espuma do ar,
o colo de quem procura
libertar-se da tortura
de ser cativo do mar.
Nessa ilha que se agita
Sob o céu e sobre o mar,
És a gaivota liberta
Nesse basalto que aperta
e não nos deixa gritar.
És o vento lá do norte
Que nos traz agitação
Ora dócil ora forte
Vento é vento, não consorte
vento é hino, é paixão.
Sinto falta desse vento
Com cheiro de maresia
Do calhau onde me sento
Chego triste vou contente
Vento é vento, é poesia.
Ter nascido sobre o mar
Não foi essa a minha sorte
Tenho em último desejo
A terra quente da ilha
Acolher-me em minha morte.
Quero um castelo no mar
Qual mirante de cidade
Quero poder repousar
Sem ter de me separar
Dos pedaços de saudade.
Quero hortências e alfenim
Rosas de todas as cores
Um pedaço de chão raso
Onde germinem flores
Que se alimentem de mim. ®

.................................................................................... 24 Maio 2005



Outrora dizia a sabedoria popular que um homem só se realizaria quando plantasse uma árvore, escrevesse um livro e tivesse um filho. Hoje em dia, plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho não requer nenhuma habilidade especial. Para falar a verdade, dá muito mais trabalho derrubar uma árvore, ler um livro e evitar ter filhos. Estas é que deveriam ser consideradas as verdadeiras realizações de uma vida.
Já viram como quem mora nas grandes cidade nem árvores encontra para derrubar? E se acaso reside na periferia e quer tombar umas carquejas perde-se em pedidos de autorização a diferentes ministérios, a estudos de impacto ambiental ou em ocultar o crime aos ambientalistas….?
E escrever um livro? É assim tão difícil? Quantos conhecemos que apostilaram pelas causas mais banais? Agora, ler um livro...sim, ler um livro! Titânica empresa! Não se tem tempo de terminar ou de o comprar, o dinheiro não sobra, o IVA não ajuda e a livraria fica longe.
Os filhos, nem discuto. Olho a fila da farmácia e já não vejo crianças febris nos colos. Não se recomendam xaropes, supositórios, papas lácteas ou tetinas de silicone. Manter uma vida sexual activa e garantir que não está a fabricar um herdeiro é, de longe, a tarefa mais difícil das três. Quem segura biliões de espermatozóides lutando pela vida na certeza de que nenhum conseguirá cumprir a sua missão?


............................................................................................  22 Maio 2005