Estes olhos
são da cor do mar
do céu, dos horizontes
dos cumes sem montes
das noites sem luar.
São apenas meus
são o fim do infinito,
são oásis sem deserto
são calor num corpo aberto
são silêncio, não são grito.
Olhas neles e que vês tu?
o lume na manhã fria
a hora que sempre tarda
a noite que nunca acaba
o saldo do dia-a-dia.
são da cor do mar
do céu, dos horizontes
dos cumes sem montes
das noites sem luar.
São apenas meus
são o fim do infinito,
são oásis sem deserto
são calor num corpo aberto
são silêncio, não são grito.
Olhas neles e que vês tu?
o lume na manhã fria
a hora que sempre tarda
a noite que nunca acaba
o saldo do dia-a-dia.
..................................................................................... 16 Junho 2005
O PORTUGUÊS, DE FACTO, É ÚNICO!
Os tempos são maus, de facto, mas pela voltinha que dei aí pelas escrituras bloguísticas reconheço que a espiritualidade lusa é inversamente proporcional ao estado da nação. Vem a tormenta, sobe a ironia e a boa-disposição.
Avizinha-se a quarta revolução. O quarto coice certeiro no orgulho do género lusitano. Depois do Copérnico ter demonstrado que nós é que os temos a girar à volta de, do Darwin explicar a origem de toda a nossa macacada e de Freud nos chegar a tirar o coiso explicando os actos falhados, o Primeiro Ministro ataca agora, com o novo código anti-sobrevivência!
Sócrates: - "Iva vai subir para os 21% , congeladas as progressões nas carreiras da função pública, aumento no preço dos combustíveis….,…"
Reacção do Povo: SLB, SLB SLB SLB, GLORIOSO, SLB GLORIOSO SLB... ... ...
....................................................................................... 27 Maio 2005
És a ilha que visito,
a praia onde me deito,
o céu onde me espelho
a montanha donde grito,
o silêncio do meu peito...
És praia de areia escura
que aspira a espuma do ar,
o colo de quem procura
libertar-se da tortura
de ser cativo do mar.
que aspira a espuma do ar,
o colo de quem procura
libertar-se da tortura
de ser cativo do mar.
Nessa ilha que se agita
Sob o céu e sobre o mar,
És a gaivota liberta
Nesse basalto que aperta
e não nos deixa gritar.
Sob o céu e sobre o mar,
És a gaivota liberta
Nesse basalto que aperta
e não nos deixa gritar.
És o vento lá do norte
Que nos traz agitação
Ora dócil ora forte
Vento é vento, não consorte
vento é hino, é paixão.
Que nos traz agitação
Ora dócil ora forte
Vento é vento, não consorte
vento é hino, é paixão.
Sinto falta desse vento
Com cheiro de maresia
Do calhau onde me sento
Chego triste vou contente
Vento é vento, é poesia.
Com cheiro de maresia
Do calhau onde me sento
Chego triste vou contente
Vento é vento, é poesia.
Ter nascido sobre o mar
Não foi essa a minha sorte
Tenho em último desejo
A terra quente da ilha
Acolher-me em minha morte.
Não foi essa a minha sorte
Tenho em último desejo
A terra quente da ilha
Acolher-me em minha morte.
Quero um castelo no mar
Qual mirante de cidade
Quero poder repousar
Sem ter de me separar
Dos pedaços de saudade.
Qual mirante de cidade
Quero poder repousar
Sem ter de me separar
Dos pedaços de saudade.
Quero hortências e alfenim
Rosas de todas as cores
Um pedaço de chão raso
Onde germinem flores
Que se alimentem de mim. ®
Rosas de todas as cores
Um pedaço de chão raso
Onde germinem flores
Que se alimentem de mim. ®
.................................................................................... 24 Maio 2005
Outrora dizia a sabedoria popular que um homem só se realizaria quando plantasse uma árvore, escrevesse um livro e tivesse um filho. Hoje em dia, plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho não requer nenhuma habilidade especial. Para falar a verdade, dá muito mais trabalho derrubar uma árvore, ler um livro e evitar ter filhos. Estas é que deveriam ser consideradas as verdadeiras realizações de uma vida.
Já viram como quem mora nas grandes cidade nem árvores encontra para derrubar? E se acaso reside na periferia e quer tombar umas carquejas perde-se em pedidos de autorização a diferentes ministérios, a estudos de impacto ambiental ou em ocultar o crime aos ambientalistas….?
E escrever um livro? É assim tão difícil? Quantos conhecemos que apostilaram pelas causas mais banais? Agora, ler um livro...sim, ler um livro! Titânica empresa! Não se tem tempo de terminar ou de o comprar, o dinheiro não sobra, o IVA não ajuda e a livraria fica longe.
Os filhos, nem discuto. Olho a fila da farmácia e já não vejo crianças febris nos colos. Não se recomendam xaropes, supositórios, papas lácteas ou tetinas de silicone. Manter uma vida sexual activa e garantir que não está a fabricar um herdeiro é, de longe, a tarefa mais difícil das três. Quem segura biliões de espermatozóides lutando pela vida na certeza de que nenhum conseguirá cumprir a sua missão?
............................................................................................ 22 Maio 2005