quarta-feira, 25 de maio de 2011






Aqui não há poeta, apenas texto .
Há gente do mar, da serra, da terra escrita,
latinos tisnados, bravos guerreiros,
pequenos rudes, heróis errantes,
operários, pescadores,
ex-combatentes, gente de luta,
macacos, velhacos, herdeiros,
cabeças vergadas, emigrantes,
bufos, analfabetos, crentes,
filhos de algo ou da puta.
Deputados, burocratas, novos ricos,
subsidiados, empresários, doutores,
políticos, banqueiros, especuladores,
bastonários, comissários,
gente de bem estes senhores.
Aqui não há texto - há poente.
Há ocasos todos os dias,
eles são as poesias,
com que escrevo a minha gente.


................................................................................................  16 Abril 2005



Segredos de uma historiografia mal contada.
Divirto-me com uns cabouqueiros armados de bolígrafos que por aí se arrastam, forçando arrojadas tentativas de imitar Dan Brown .
Chamam-nos de foragidos, de renegados incapazes de apagar um genoma hispânico, de discípulos de um tal Afonso que um dia arreou na velha, uma tal de Tereija que se arrastava lânguida por um tal Fernão Peres de Trava.
__ São esses prosadores que glorificam a habilidade dos nossos vizinhos de Castela em tomar todo o ouro existente a oeste de Tordesilhas e que fingem esquecer que ficámos com as mulatas e o pau em brasa (vulgo Brasil), os dentistas e as novelas.
__ São eles, os de Cervantes que evocam a alma das mulheres e mães Andaluzas que empurraram maridos e filhos Guadalquivir abaixo topando um novo mundo. Vejo a típica família sevilhana: ela com vestidos às bolinhas tipo joaninha saltitante; ele, um parolo de cabelo oleoso que geme como quem está com uma crise de hemorróidas, mas esquecem as nossas nazarenas, que estafam o esposo na faina das sete saias.
__ Minimizam-nos quando recordam a letra de ouro que tomaram Ceuta, Gibraltar e Olivença mas fingem ignorar que anexaram muitos alentejanos.
__ Enaltecem Dulcineia, mas ai de nós darmos nome de Pilar, Concha, Consuelo, Evita, Paloma ou Mercedes a uma dama. As nossas são Fátima, Cândida, Maria ou Augusta.
__ Cravam no papel o seu nacionalismo mas não explicam a razão do “el corte inglês”.
__ Chamam-nos de nuestros hermanos perdidos mas não ouvem o que lhes respondemos - Xô, bastardo! Vai prá p*** que te pariu.
__ Orgulham-se da indústria automóvel mas entendo que ali por trás está uma atitude ilegal de promoção turistica a pagar forte, já viram ? Toledo, Ibiza, Leon, Alhambra, Arosa e outras terrinhas em cima de borracha?
__ Já para não falar nos linguistas que se pavoneiam sublinhando rico linguajar basco, galaico e catalão.Ok, para arrumar com esta superioridade vamos oferecer-lhes uma viajem aos Açores,
em especial a S.Miguel. Concordam?

...................................................................................... 7 Abril 2005