terça-feira, 31 de maio de 2011

SONDAGENS


- Não era necessária qualquer sondagem para adivinhar que o português é o povo mais irritadiço da Europa. Dos motivos da irritação nacional conhecemos os mais triviais: passar à frente nas filas, cuspir para o chão, pisar os excrementos de cão, ter de esperar pela vez de sermos atendidos, abrir a persiana e estar de chuva, suportar o sino da igreja ao fim-de-semana, ir à casa-de-banho e não ter papel higiénico, possuir via-verde e arrastarmo-nos nas auto-estradas, chegar ao locar de trabalho e não ter estacionamento,… tudo irrita.


- A mesma empresa de sondagem diz-nos que o povo lusitano, maioritariamente, não acredita no pito dourado. Ruço, moreno, negro, mulato, careca, com piercings, atravessado, tatuado, fedorento, perfumado, sim. Dourado não…! Z. Camarinha confirma.


- Na semana que precedeu à sua inauguração, cerca de metade dos portuenses ignorava que aquele edifício na Boavista era a Casa da Música. Pensavam tratar-se da nova Basílica da capital do trabalho! Quando souberam a verdade, alguns tripeiros reagiram desta forma – “Ora foda-se, eu até já me benzia sempre que ali passava.”


- O dia 10 de Junho é o nosso único feriado composto. Em razão do excesso de feriados em Dezembro, os mais ociosos entenderam aceitável que se transfira para a efeméride do poeta o 8 de Dezembro dia da Imaculada Conceição e assim teríamos o Dia de Portugal, de Camões, da Conceição, das Comunidades e das Condecorações…(tantos Cês cum crlh…!)


- Questionados sobre o político no activo a quem reconheciam mais inteligência, a escolha recaiu sobre o “operário” Jerónimo de Sousa secretário-geral do PCP. Sim, esse, o “operário” que não trabalha desde 1974!

....................................................................................... 22 Junho 2005

Atrocidades
Dia aziago, ou melhor, um dia normal para um obediente bastardo da mãe lusa. A caixa Multibanco "comeu-me" o cartão depois de me equivocar três vezes no código. Amanhã vou ao Banco falar com a bancária, a sedutora da Graciete. Primeiro vou chamar-lhe Elisabete, depois Sallete e finalmente Bernardete. Tudo na esperança que ela me "coma" a mim...Antes do almoço a vizinha queixou-se dos seus novos inquilinos: -"A casa daqueles rapazes parece uma tasca, cheira sempre a tabaco e vinho"… depressa alguém duma janela respondeu: a dela faz-me lembrar um berçário, é só cú-cú, óh-óh com fartura. Decidi passar o resto do dia em casa, devorando notícias. Agarro em"O Coiso", o semanário de maior penetração no país. Conclusão? Mau tempo no canil !... Guerras absurdas por medidas de recuperação económica. Devoro uns quantos cigarros; só inalei impostos e nem tempo tive para o prazer de fumar. Mastigo a nicotina em forma de protesto contra estes políticos autores de um rol de alarvidades próprias de quem snifa alcatrão.

............................................................................................ 20 Junho 2006





Estes olhos
são da cor do mar
do céu, dos horizontes
dos cumes sem montes
das noites sem luar.

São apenas meus
são o fim do infinito,
são oásis sem deserto
são calor num corpo aberto
são silêncio, não são grito.

Olhas neles e que vês tu?
o lume na manhã fria
a hora que sempre tarda
a noite que nunca acaba
o saldo do dia-a-dia.

..................................................................................... 16 Junho 2005


O PORTUGUÊS, DE FACTO, É ÚNICO!

Os tempos são maus, de facto, mas pela voltinha que dei aí pelas escrituras bloguísticas reconheço que a espiritualidade lusa é inversamente proporcional ao estado da nação. Vem a tormenta, sobe a ironia e a boa-disposição.
Avizinha-se a quarta revolução. O quarto coice certeiro no orgulho do género lusitano. Depois do Copérnico ter demonstrado que nós é que os temos a girar à volta de, do Darwin explicar a origem de toda a nossa macacada e de Freud nos chegar a tirar o coiso explicando os actos falhados, o Primeiro Ministro ataca agora, com o novo código anti-sobrevivência!
Sócrates: - "Iva vai subir para os 21% , congeladas as progressões nas carreiras da função pública, aumento no preço dos combustíveis….,…"
Reacção do Povo: SLB, SLB SLB SLB, GLORIOSO, SLB GLORIOSO SLB... ... ...



....................................................................................... 27 Maio 2005


És a ilha que visito,
a praia onde me deito,
o céu onde me espelho
a montanha donde grito,
o silêncio do meu peito...

 És praia de areia escura
que aspira a espuma do ar,
o colo de quem procura
libertar-se da tortura
de ser cativo do mar.
Nessa ilha que se agita
Sob o céu e sobre o mar,
És a gaivota liberta
Nesse basalto que aperta
e não nos deixa gritar.
És o vento lá do norte
Que nos traz agitação
Ora dócil ora forte
Vento é vento, não consorte
vento é hino, é paixão.
Sinto falta desse vento
Com cheiro de maresia
Do calhau onde me sento
Chego triste vou contente
Vento é vento, é poesia.
Ter nascido sobre o mar
Não foi essa a minha sorte
Tenho em último desejo
A terra quente da ilha
Acolher-me em minha morte.
Quero um castelo no mar
Qual mirante de cidade
Quero poder repousar
Sem ter de me separar
Dos pedaços de saudade.
Quero hortências e alfenim
Rosas de todas as cores
Um pedaço de chão raso
Onde germinem flores
Que se alimentem de mim. ®

.................................................................................... 24 Maio 2005



Outrora dizia a sabedoria popular que um homem só se realizaria quando plantasse uma árvore, escrevesse um livro e tivesse um filho. Hoje em dia, plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho não requer nenhuma habilidade especial. Para falar a verdade, dá muito mais trabalho derrubar uma árvore, ler um livro e evitar ter filhos. Estas é que deveriam ser consideradas as verdadeiras realizações de uma vida.
Já viram como quem mora nas grandes cidade nem árvores encontra para derrubar? E se acaso reside na periferia e quer tombar umas carquejas perde-se em pedidos de autorização a diferentes ministérios, a estudos de impacto ambiental ou em ocultar o crime aos ambientalistas….?
E escrever um livro? É assim tão difícil? Quantos conhecemos que apostilaram pelas causas mais banais? Agora, ler um livro...sim, ler um livro! Titânica empresa! Não se tem tempo de terminar ou de o comprar, o dinheiro não sobra, o IVA não ajuda e a livraria fica longe.
Os filhos, nem discuto. Olho a fila da farmácia e já não vejo crianças febris nos colos. Não se recomendam xaropes, supositórios, papas lácteas ou tetinas de silicone. Manter uma vida sexual activa e garantir que não está a fabricar um herdeiro é, de longe, a tarefa mais difícil das três. Quem segura biliões de espermatozóides lutando pela vida na certeza de que nenhum conseguirá cumprir a sua missão?


............................................................................................  22 Maio 2005

quarta-feira, 25 de maio de 2011


Habemus Papam

E se for preciso temos lá mais em stock. Com o cabelo branco, ar de parvo e em fase de decomposição.
....e por falar em cardeais - mas o que é que os manos fumam? Tanto sai fumo preto como fumo branco... também quero!

.................................................................................................... 15 Maio 2005

Li a um amigo que a radiação emitida por postes de alta tensão, por telemóveis, por geradores de energia e até o calor de um computador portátil estão para os testículos como as brasas estão para um bife do cachaço.
Ripostou o serôdio - Isso antigamente já acontecia com umas boladas nos colhões, de os aquecer ao rubro no selim da bicicleta ou por esganar o palhaço umas quantas vezes por dia. ehehe......que forma mais simples de entender os modernos estudos científicos sobre infertilidade masculina.
................................................................................................ 3 Maio 2005

É um facto que os animais ensinam os humanos – recordam-se das fábulas?!
Um cão chega a casa e a doce cadela pergunta - " querido como foi o teu dia?". Ele respondeu - "foi normal.. encontrei a tua parente na rua e pinei com ela logo ali. Mandei uma mija no carro de um peneirento todo perfumado e ainda fui a tempo de chegar a roupa ao pelo ao siamês da vizinha. Larguei a poita no jardim do condomínio , mostrei os dentes ao Presidente e atravessei a Avenida fora da passadeira . Traz-me as pantufinhas e deixa-me cá cheirar o teu rabo antes dos cachorros chegarem" .
Moralidade.......(?)
Esta merda não é do LaFontaine nem de Hans Christian Andersen ou de Esopo,…..mas é o espelho fiel dos venturosos dias com que vestimos a nossa existência.
............................................................................................................. 29 Abril 2005

faz trin ta anos que a avó votou.
Não sabia ao que ía, mas foi.
Não sabia o que ganharia, mas não ficou.
Teve fé. Acreditou nos homens.
Levou o avental e uma caneta com que assinou a liberdade;
Era só mais um dia de trabalho
aquele, o anterior e muitos que a liberdade lhe deu para viver.
A revolução não lhe devolveu a generosidade.
Nunca chegou a saber que Abril era tão tarde.


............................................................................................ 25 Abril 2005






Aqui não há poeta, apenas texto .
Há gente do mar, da serra, da terra escrita,
latinos tisnados, bravos guerreiros,
pequenos rudes, heróis errantes,
operários, pescadores,
ex-combatentes, gente de luta,
macacos, velhacos, herdeiros,
cabeças vergadas, emigrantes,
bufos, analfabetos, crentes,
filhos de algo ou da puta.
Deputados, burocratas, novos ricos,
subsidiados, empresários, doutores,
políticos, banqueiros, especuladores,
bastonários, comissários,
gente de bem estes senhores.
Aqui não há texto - há poente.
Há ocasos todos os dias,
eles são as poesias,
com que escrevo a minha gente.


................................................................................................  16 Abril 2005



Segredos de uma historiografia mal contada.
Divirto-me com uns cabouqueiros armados de bolígrafos que por aí se arrastam, forçando arrojadas tentativas de imitar Dan Brown .
Chamam-nos de foragidos, de renegados incapazes de apagar um genoma hispânico, de discípulos de um tal Afonso que um dia arreou na velha, uma tal de Tereija que se arrastava lânguida por um tal Fernão Peres de Trava.
__ São esses prosadores que glorificam a habilidade dos nossos vizinhos de Castela em tomar todo o ouro existente a oeste de Tordesilhas e que fingem esquecer que ficámos com as mulatas e o pau em brasa (vulgo Brasil), os dentistas e as novelas.
__ São eles, os de Cervantes que evocam a alma das mulheres e mães Andaluzas que empurraram maridos e filhos Guadalquivir abaixo topando um novo mundo. Vejo a típica família sevilhana: ela com vestidos às bolinhas tipo joaninha saltitante; ele, um parolo de cabelo oleoso que geme como quem está com uma crise de hemorróidas, mas esquecem as nossas nazarenas, que estafam o esposo na faina das sete saias.
__ Minimizam-nos quando recordam a letra de ouro que tomaram Ceuta, Gibraltar e Olivença mas fingem ignorar que anexaram muitos alentejanos.
__ Enaltecem Dulcineia, mas ai de nós darmos nome de Pilar, Concha, Consuelo, Evita, Paloma ou Mercedes a uma dama. As nossas são Fátima, Cândida, Maria ou Augusta.
__ Cravam no papel o seu nacionalismo mas não explicam a razão do “el corte inglês”.
__ Chamam-nos de nuestros hermanos perdidos mas não ouvem o que lhes respondemos - Xô, bastardo! Vai prá p*** que te pariu.
__ Orgulham-se da indústria automóvel mas entendo que ali por trás está uma atitude ilegal de promoção turistica a pagar forte, já viram ? Toledo, Ibiza, Leon, Alhambra, Arosa e outras terrinhas em cima de borracha?
__ Já para não falar nos linguistas que se pavoneiam sublinhando rico linguajar basco, galaico e catalão.Ok, para arrumar com esta superioridade vamos oferecer-lhes uma viajem aos Açores,
em especial a S.Miguel. Concordam?

...................................................................................... 7 Abril 2005





No dia em que partires
ficarei encerrado numa só mão
tão pequeno como a semente que acolheste
naquela hora em negaste um não
e nos braços me aqueceste.
Ficarei decepado
como o vento sem destino
tão pequeno como a paz que semeaste
no embalo do regaço
e me chamavas de teu menino.
No dia em que partires
prometo abraçar o chão,
dirás sorrindo que Deus assim o quis
é verdade, sim, assim o quis,
eu ficarei só - Ele é que não!

............................................................. 23 Março 2005

Algures entre Ranholas e a Buraca

um emissário devidamente mandatado pelo mentor, reuniu clandestinamente com a comunicação social (fugindo ao segredo protocolar) visando a difusão das seguintes notas à imprensa:
* um ex primeiro-ministro da República Portuguesa faz saber que vai continuar ligado à política.
* Ocupará um cargo de importância relevante na União Europeia.
* Substituirá um velho amigo a quem já um dia fez o favor de o socorrer numa emergência governativa.
* Aceitou , após longos segundos de reflexão, quando viu satisfeita a revindicação de nunca ter menos de oito secretárias escolhidas a olho nu.
* A seu pedido, visando a redução de pastas e consequente poupança erário público, acumulará a pasta de comissário da Agricultura.
* O tubérculo, dizem os rosas, foi o único causador de toda esta seca, onda de frio e geadislâmica , arruinando a produção agrícola e desvitalizando o poderoso lobie da labregagem portuguesa.
* O parlamento europeu anuiu, não necessitando de verificar o seu currículo, uma vez conhecidas as posições deste nabo que determinaram a dita “limpeza do terreiro” e “desinfestação da praga” pelo supremo magistrado da lusa pátria.
* A satisfação e o orgulho da classe política nacional neste convite é tal que está decidido para breve o lançamento de um concurso público internacional para edificação do monumento ao génio da incubadora. (Vai para o Entroncamento dizem uns, é melhor prás Caldas Óh pinam outros).
* O bastonário da confraria da maledicência propôs para o calendário civil nacional a comemoração de um dia dedicado a este paradigma do equívoco em conjunto com o dia do Carlos Cus.
* A estupefacção de um celebérrimo papagaio da praça perante tal convite foi de tal monta, que jurou (por desdém) não comentar nem mais uma única vírgula em qualquer das estações de televisão portuguesas. (consta que está a negociar com a Euronews ).

.......................................................................................... 2 Março 2005

… aos que se privaram da vida
e me deram luz,
aos que tiraram dos rios
e me mataram a sede,
aos que furtaram estrelas
e de noite me alumiaram,
aos que silenciaram o vento
e no regaço me embalaram,
aos que sulcaram a terra
e me deram seiva,
aos que romperam as vestes
e me agasalharam,
aos que me escutaram
e souberam tolerar,
aos que comigo riram
e não quiseram chorar,
aos que partilharam lágrimas
não havendo nada a chorar,
aos que estas palavras lerem
quais folhas aqui no ar,

um dia
cantar-vos-ei em odes
pintar-vos-ei em cânticos
prosar-vos-ei em lira

e partirei... ... ... ... ... ... ...

................................................................................................ 27 Jan 2005

O que eles poderiam ter dito


* Vamos por partes. (Jack "O Estripador")
* A minha esposa tem um bom físico. (Albert Einstein)
* Eu comecei por roer as unhas. (Vénus de Milo)
* Nunca pude estudar Direito. (O Corcunda de Notre Dame)
* Sempre quis ser o primeiro. (João Paulo II)
* Hás-de pagar-me. (Fundo Monetário Internacional)
* Basta de realidades... Queremos promessas! (Os pobres)
* O leite engorda. (Uma grávida)
* Tenho um coração de pedra! (Uma estátua)
* Tenho nervos de aço. (Robocop)
* O automóvel nunca substituirá o cavalo. (A égua)
* Mamã, eu sei tudo! (O Pequeno Larrousse Ilustrado)
* A nossa mãe é uma loba... (Rómulo e Remo)
* Disseram-me para jogar junto à linha branca. (Diego Maradona)
* Tenho um nó na garganta. (Um enforcado)
* O meu noivo é um Monstro. (A Bela)
* Estou feito em pedaços. (Frankenstein)
* Gosto da humanidade. (Um canibal)
* Não vejo a hora de me ir. (Um cego)
* A minha noiva é uma cadela! (Pluto)
* És a única mulher da minha vida! (Adão)
* Avariou-se o despertador... (A Bela Adormecida)
* Levantarei os caídos e os grandes serão oprimidos !!! (O soutien)


---------------------------------------------------------------------------- 19 Jan 2005

Fiquei a saber que na minha rua existem portugueses. Não sei se muitos ou poucos, mas acredito sobretudo que sejam bravos, fiéis e muito devotos – a bem da nação. Adivinho serem daquela região demarcada dentre-o-umbigo e o ânus-da-mãe, desbravada pela nossa ancestral e épica brazonada que desde a remota Idade do Pau se cobrem de glória à custa dos que escaparam à traineira do aborto.
Estes meus conterrâneos vivem como comendadores Queirosianos, em citânias junto do mesmo poço onde a matriarca Fagundes, há longa data, mostrava à canalha como lavar a franga que saciaria os machos esfaimados; hoje chamam a isso de condomínios com piscina privativa.
Içaram uma bandeira, manufacturada algures entre Taiwan e o Paquistão, que de tão descolorida e esfarrapada estar, cada vez se parece mais com o torrão português. Lembra-me aquelas que nos topos de alguns locais públicos, de tão maltratadas estarem, se assemelham a esta saloia enfermidade geneticamente herdada da bastardia casta Fagundes.
Lavam-se com Neoblanc, falam do stress pré-avião, sacodem-se nas Raves, comparam patrimónios, cogitam sobre a próxima fuga fiscal, trocam endereços de tascas de cultura, falam coléricos de casinos malfadados onde penhoraram a esposa por uma noite, que protestam quando os filhos pagam propinas e assinam subscrições contra as taxas moderadoras ou se incendeiam contra novas portagens. São estes os meus vizinhos – os apátridas de ocasião!

------------------------------------------------------------------ 03 Out 2004


LATITUDE NORTE
Eis-me numa tentativa de ensaio sobre a angústia pós férias do blogger diante do monitor em gigantesco branco incapaz para tantas palavras que se pretendem desenhar.
Setembro entrou rápido e a sensação de fim acentua-se. Escapou-se-me este Verão como areia por entre os dedos das mãos e resto sem saber se parti ou nasci com ele, aguardando mudo a próxima vaga. Tal como outrora o mar entrou, durante as férias, no meu destino.


................................................................................... 2 Set 2004


Esfarelo em encefaleias só de pensar o que fazer com o aumento dado generosamente pelo patrão.O bicho tem cá um coração que nenhum aurículo o merece. Não hesitarei em propor o verdugo para que conste no rol dos beneméritos de uma qualquer Misericórdia. Tinha pensado, prometido mesmo, comprar um “capachinho” do género cauda de pavão, para ver se encantava as galinhas das redondezas. Desisti - este aumento não dá. Continua aqui o besugo a ordenhar o computador na esperança de encontrar algo promocionalmente tentador e acessível, uma bicicleta, quem sabe? Mas estes novos modelos são bizarros, desconfortáveis, não se consegue uma posição de sentado, são pouco ergonómicas, nunca me conseguirei adaptar aos selins. Duros, estreitos, diria que foram feitos para rotos. Desisto - não serve. Um isolamento para as paredes cá de casa? Quem sabe? É que a vizinha não dá paz na vizinhança. Tem dias que a televisão dela fica avariada; está sempre a passar aquele anúncio do shampoo Herbal Essences. "Ò ... sim, sim ... siiiim". Que se lixe - até me ajuda a sorrir quando a ouço dizer que não suporta os insolentes e desabafados roncos do vizinho de baixo no wc logo pela manhã. Talvez o dinheiro chegue para comprar pilhas para o brinquedo da minha directora, em forma de dedo indicador invertebrado e que volta e meia a põe doida quando a Rosabela lho pede emprestado e o usa como pissa papeis. Pensando melhor - não o merece. Ocorreu-me a madrinha, tadinha. Soube que está sem emprego, a passar fome mesmo; ouvi-a dizer ao tipo da padaria que lhe mordia o cacete todo e a seguir o aquecia na fornalha até ele ficar grande. Talvez a ajude, oferecendo o fermento.O padrinho também anda desesperado com o encerramento da fábrica. A vida foi hostil para o casal. Quem sabe lhe dê umas indumentárias modernas, dessas que os adolescentes usam. Pelo que percebi, ele não deve gostar nada das roupas que a madrinha lhe compra, porque todas as noites, quando sai com os amigos, leva os vestidos dela. Pensando bem, vou gastá-lo em mim, ou melhor no veículo que vai escorregando aí pelas calçadas, antes que a autoridade me iniba de gingar, vou ao pneumologista comprar quatro recauxutados porque os cobres não me permitem mais que as meias-solas.

.................................................................................... 21 Março 2004

A setôra de Purtugês disse pra fazer blogs purqe eu dava muitos herros. Eu?! Ká em casa disem ke não- o meu cota neim um O - de ovu sab. A minha veilha descunheçe que mile escudus se esqreve com cincu € i a minha hirmã istuda há noite porke de dia naum conçeguia nada. Na iscola tinha de çaber meu, cenaum nunca tinha xegado ao segundário.Em tão naum cei a língoa de Camoies? Pôs kem naum çab kakele tipu candava sempre a curtir as cirigaitas do Bosse foi de castigu par Makau e pur lá escruveu os Luziadas nu mesmu Purtugês kom ke eu vus fallo. Cei tanbém ke sakaram o oulho ao gaijo numa discoteka lá pós ladus de Vila Moura. A gora ke voz cês treminaram de lere esto naum me digaum que naum hé mais fácile presseber exte testo que emtendere o "abrupetu". O Menistro kakáb cúz esames purke unhm chaválo hé pobre maz tenhe dereito a çer Doutore!
.......................................................................................  3 Fev 2004

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Aqui não há poeta, apenas texto .
Há gente do mar, da serra, da terra escrita,
latinos tisnados, bravos guerreiros,
pequenos rudes, heróis errantes,
operários, pescadores,
ex-combatentes, gente de luta,
macacos, velhacos, herdeiros,
cabeças vergadas, emigrantes,
bufos, analfabetos, crentes,
filhos de algo ou da puta.
Deputados, burocratas, novos ricos,
subsidiados, empresários, doutores,
políticos, banqueiros, especuladores,
bastonários, comissários,
gente de bem estes senhores.
Aqui não há texto - há poente.
Há ocasos todos os dias,
eles são as poesias,
com que escrevo a minha gente.

.......................................................................................... 16 Abril 2005

Segredos de uma historiografia mal contada.
Divirto-me com uns cabouqueiros armados de bolígrafos que por aí se arrastam, forçando arrojadas tentativas de imitar Dan Brown .
Chamam-nos de foragidos, de renegados incapazes de apagar um genoma hispânico, de discípulos de um tal Afonso que um dia arreou na velha, uma tal de Tereija que se arrastava lânguida por um tal Fernão Peres de Trava.
__ São esses prosadores que glorificam a habilidade dos nossos vizinhos de Castela em tomar todo o ouro existente a oeste de Tordesilhas e que fingem esquecer que ficámos com as mulatas e o pau em brasa (vulgo Brasil), os dentistas e as novelas.
__ São eles, os de Cervantes que evocam a alma das mulheres e mães Andaluzas que empurraram maridos e filhos Guadalquivir abaixo topando um novo mundo. Vejo a típica família sevilhana: ela com vestidos às bolinhas tipo joaninha saltitante; ele, um parolo de cabelo oleoso que geme como quem está com uma crise de hemorróidas, mas esquecem as nossas nazarenas, que estafam o esposo na faina das sete saias.
__ Minimizam-nos quando recordam a letra de ouro que tomaram Ceuta, Gibraltar e Olivença mas fingem ignorar que anexaram muitos alentejanos.
__ Enaltecem Dulcineia, mas ai de nós darmos nome de Pilar, Concha, Consuelo, Evita, Paloma ou Mercedes a uma dama. As nossas são Fátima, Cândida, Maria ou Augusta.
__ Cravam no papel o seu nacionalismo mas não explicam a razão do “el corte inglês”.
__ Chamam-nos de nuestros hermanos perdidos mas não ouvem o que lhes respondemos - Xô, bastardo! Vai prá p*** que te pariu.
__ Orgulham-se da indústria automóvel mas entendo que ali por trás está uma atitude ilegal de promoção turistica a pagar forte, já viram ? Toledo, Ibiza, Leon, Alhambra, Arosa e outras terrinhas em cima de borracha?
__ Já para não falar nos linguistas que se pavoneiam sublinhando rico linguajar basco, galaico e catalão.Ok, para arrumar com esta superioridade vamos oferecer-lhes uma viajem aos Açores,
em especial a S.Miguel. Concordam?



.................................................................................................... 25 Abril 2005

Aqui não há poeta, apenas texto .
Há gente do mar, da serra, da terra escrita,
latinos tisnados, bravos guerreiros,
pequenos rudes, heróis errantes,
operários, pescadores,
ex-combatentes, gente de luta,
macacos, velhacos, herdeiros,
cabeças vergadas, emigrantes,
bufos, analfabetos, crentes,
filhos de algo ou da puta.
Deputados, burocratas, novos ricos,
subsidiados, empresários, doutores,
políticos, banqueiros, especuladores,
bastonários, comissários,
gente de bem estes senhores.
Aqui não há texto - há poente.
Há ocasos todos os dias,
eles são as poesias,
com que escrevo a minha gente.


....................................................................................... 16 Abril 2005


Segredos de uma historiografia mal contada.
Divirto-me com uns cabouqueiros armados de bolígrafos que por aí se arrastam, forçando arrojadas tentativas de imitar Dan Brown .
Chamam-nos de foragidos, de renegados incapazes de apagar um genoma hispânico, de discípulos de um tal Afonso que um dia arreou na velha, uma tal de Tereija que se arrastava lânguida por um tal Fernão Peres de Trava.
__ São esses prosadores que glorificam a habilidade dos nossos vizinhos de Castela em tomar todo o ouro existente a oeste de Tordesilhas e que fingem esquecer que ficámos com as mulatas e o pau em brasa (vulgo Brasil), os dentistas e as novelas.
__ São eles, os de Cervantes que evocam a alma das mulheres e mães Andaluzas que empurraram maridos e filhos Guadalquivir abaixo topando um novo mundo. Vejo a típica família sevilhana: ela com vestidos às bolinhas tipo joaninha saltitante; ele, um parolo de cabelo oleoso que geme como quem está com uma crise de hemorróidas, mas esquecem as nossas nazarenas, que estafam o esposo na faina das sete saias.
__ Minimizam-nos quando recordam a letra de ouro que tomaram Ceuta, Gibraltar e Olivença mas fingem ignorar que anexaram muitos alentejanos.
__ Enaltecem Dulcineia, mas ai de nós darmos nome de Pilar, Concha, Consuelo, Evita, Paloma ou Mercedes a uma dama. As nossas são Fátima, Cândida, Maria ou Augusta.
__ Cravam no papel o seu nacionalismo mas não explicam a razão do “el corte inglês”.
__ Chamam-nos de nuestros hermanos perdidos mas não ouvem o que lhes respondemos - Xô, bastardo! Vai prá p*** que te pariu.
__ Orgulham-se da indústria automóvel mas entendo que ali por trás está uma atitude ilegal de promoção turistica a pagar forte, já viram ? Toledo, Ibiza, Leon, Alhambra, Arosa e outras terrinhas em cima de borracha?
__ Já para não falar nos linguistas que se pavoneiam sublinhando rico linguajar basco, galaico e catalão.Ok, para arrumar com esta superioridade vamos oferecer-lhes uma viajem aos Açores,
em especial a S.Miguel. Concordam?

Fazia meses que não encarava o Ananias. O fulano ligou-me ontem pela manhã. Combinámos o almoço num lugarejo que só ele conhecia; do tipo recanto de vareja onde a clientela arriba de Jaguar ou Saab. Escondemos as carroças no fundo da viela junto dos contentores do lixo, não fossem os distintos papantes julgar que havia criaturas que se pesseavam naquilo.Logo percebi que não seria ali que esgaçaríamos o pato à manápula. Não há coisa que me irrita mais do que aqueles tipos que nos restaurantes finos repetem frases de circunstância para passarem por conhecedores e requintados -"Eu acho que o vinho precisa de repousar mais um bocadinho" ou "Deixa o vinho respirar mais um bocadinho". Coitadinho do vinho, comprem-lhe uma máquina de oxigénio e uma poltrona reclinável; foda-se, que senão ainda morre. Tentava eu explicar ao meu companheiro da minha surpresa pela notificação do IRS de 1978, de uma multa de estacionamento na barragem do Alqueva em 1974 e do levantamento da hipoteca sobre um mísero banco de jardim onde dedilhei os meus primeiros acordes púberes, quando um fulano atrás reclamou sobre uma pomada indevidamente chambreada ( o gebo tem termómetro na língua?) Chega! Não deu para continuar fazendo quorum a tanta paneleirada. Ali perto, um conhecido tasco de fast-food deteve-nos. Nunca percebi aquela hiper-mega-puta-que-a-pariu cadeia alimentar que tem como símbolo um M amarelo que nos entope de merdas de gorduras saturadas e um palhaço castrado. Entrar num MacD é a mesma coisa que atravessar um buraco negro. Os indivíduos que lá trabalham são McNíficos extraterrestres, seres maléficos de 5 olhos que falam uma língua esquisita, a língua dos Mc’s. Os nomes verdadeiros de todos os empregados devem ser McLaudio, McArlos, McGyver etc... Mas a fome era tanta e o aumento do vencimento tão pouco que mesmo assim esforcei-me para tentar comunicar com eles : - quero um Super McMenu McArrão e p`ra beber u´McCaneca por favor. "Não temos esse McMenu" disse ele. Ao qual retorqui: McMerda é esta? Ananias Foda-se! Porque MCrias ver logo hoje?


------------------------------------------------------------ 30 Jan 2004